sexta-feira, 29 de junho de 2012

As pessoas e a aceleração da comunicação: sistemas hipercomplexos


Surgiram, em listas especializadas,  discussões que, no fundo, parecem referir-se à mesma   questão de fundo: as pessoas (notadamente as notórias)  X  difusão da informação. A aceleração da comunicação é um fenômeno já vivenciado plenamente  e indiscutível.

Nenhum ser humano, há 15 anos, estava preparado para o escancaramento de informações que os avanços das tecnologias da informação e da comunicação têm permitido.  

Cabe, aqui, lembrar do que os cientistas têm chamado de "emergência" (da física à sociologia e à neurociência): aquele momento em que a realidade ganha um status novo, em que as leis regedoras dos fenômenos se transformam e desatualizam. 

A física quântica demonstrou isso do nosso nível "normal" para o micro (no micro, as leis de Newton já não se prestam para explicar os fenômenos. Um corpo em dois lugares ao mesmo tempo?!? Somos um conjunto de vazios!). Einstein caminhou também na direção inversa, do normal para o macro, onde as mesmas leis newtonianas são inúteis. A luz ganha curvas e desvios, a velocidade detona o tempo. 

Penso que os sistemas sociais, que são sistemas de comunicação, estão sofrendo o impacto da aceleração e da amplificação da comunicação. Temos, agora, sistemas hipercomplexos, de conexão e difusão de informação em níveis inimagináveis há poucos anos. 

E nossos paradigmas de pensamento deverão ajustar-se a essa nova realidade.

Toda apreciação dos fenômenos de agora, feitos à luz de nossos  padrões habituais de racionalidade, podem gerar grandes erros.

Precisamos desenvolver padrões de avaliação das coisas compatíveis com a realidade das pessoas (que não se transformou) num ambiente absolutamente novo, de comunicação magnificada.